Do produtor de
Dead Like Me e
Heroes, Bryan Fuller, e dirigida por Barry Sonnenfeld (
MiB,
A Família Addams) a nova aposta do canal americano ABC no segmento dramático, intitulada
Pushing Daisies, é bastante arriscada. No piloto conhecemos Ned, um sujeito que quando criança descobriu que era capaz de trazer os mortos de volta à vida com apenas um toque. Não apenas isso: com outro toque, ele também devolve a morte a esta pessoa e o tem que fazer em menos de um minuto, senão outro morre no lugar. Uma premissa sem dúvida muito peculiar. Para contradizer o clima mórbido que rege a série, utilizaram cores vivas e enquadramentos frontais em praticamente todas as cenas. Já adulto Ned trabalha fazendo tortas e nas horas vagas ajuda um detetive particular resolvendo homicídios e coletando recompensas.
Ele literalmente acorda as vítimas, pergunta quem foi o assassino e depois as coloca para dormir. Mas esta vida aparentemente tranqüila e estagnada muda quando ele se vê obrigado a trazer sua antiga paixão de infância, que fora assassinada em uma viagem de barco. Sem ter coragem de matá-la novamente, Ned agora tem que desvendar o crime vivendo um eterno dilema, já que ele não pode encostar em sua amada nunca mais. É tudo muito confuso, claro, e o piloto lembra demais filmes como
Peixe Grande e
Os Excêntricos Tenembaums. A direção de arte é primorosa e tudo parece acontecer em um universo paralelo. As atuações são singelas e uma insistente (e às vezes irritante) narração britânica toma boa parte do tempo de exibição, explicando cada detalhe de cada ação dos personagens: este é Ned depois de 19 anos, 34 semanas, 1 dia e 59 minutos.
Veredicto LiGado em Série: Infelizmente, o maior trunfo de
Pushing Daisies poderá ser a sua ruína: o excesso de fantasia. A série não possui quase nenhum elemento mundano que estabeleça um tom de plausibilidade no que está sendo mostrado, deixando transparecer que tudo pode mudar a qualquer tempo de acordo com a vontade do roteirista. Isso inevitavelmente irá afastar o telespectador médio, fazendo com que a série caia rapidamente no ostracismo do concorrido
primetime norte-americano. Eu sinceramente não gostei e nem desgostei do que vi, apenas não fiquei empolgado para continuar a assistir (e sei que minha opinião é um pouco isolada). Acontece que eu realmente não consigo imaginar uma segunda ou terceira temporada, ou quem sabe até uma primeira completa. Sim,
Pushing Daisies é artística ao extremo e tecnicamente impecável nesse quesito, mas acho que exageraram na dose de liberdade poética.


A resenha é uma análise fria e inicial do piloto da série que foi divulgado pelo canal ABC e podem ocorrer mudanças na versão definitiva, que estréia somente em 3 de Outubro nos EUA.