29/02/2008 00:35

LOST: A Constante de Desmond


De tempos em tempos, LOST nos presenteia com episódios que desorganizam toda a nossa percepção sobre a série de forma absolutamente brilhante e imprevisível. Freqüentemente isso acontece quando descobrimos um pouco mais da vida de Desmond Hume, como vimos em Man of Science, Mano f Faith, Flashes Before Your Eyes e agora no excelente The Constant. Desde a explosão da escotilha Cisne, a experiência de tempo e vida do “brotha” foi profundamente alterada e após a sua segunda exposição ao forte eletromagnetismo da ilha, a situação ficou um pouco mais severa. Preso em flashes do passado e presente, presenciamos a sua incrível jornada para reencontrar o equilíbrio da confusa equação que sua vida virou. E é claro que a constante que (novamente) o salvou foi Penelope Widmore, numa cena que certamente já é um dos momentos mais emocionantes de toda a série.



A outra grande surpresa do episódio veio com o físico Daniel Faraday, que introduziu uma interessantíssima versão para o conceito de “viagem no tempo”. Eu confesso que não curti muito esse tema quando vi que a série iria abordá-lo, mas a maneira como lidaram o assunto até chegou a ser plausível em alguns momentos. Ora, se a mente humana seguisse sempre uma lógica linear e temporal, não existiriam tantas ciências com o objetivo de tentar desvendar os seus profundos mistérios. No passado, foi curioso constatar a obsessão de Charles Widmore com a história da ilha. Gastando seu precioso tempo em um leilão de artefatos e obras de arte, ele arrematou o diário de bordo perdido do navio Black Rock, que sabemos estar atracado na ilha há séculos. Será que ele encontrou respostas ali? The Constant finalmente pôs fim à teoria de que a diferença tempo na ilha e fora dela seria significativa. Os acontecimentos do episódio ocorreram na véspera de Natal do ano de 2004, 93 dias após a queda do vôo 815.



Mesmo assim, Faraday disse que a percepção de tempo na ilha pode ser diferente para quem está lá há mais tempo e isso ainda precisa ser explicado. Outra coisa que me chamou a atenção foi a sabotagem no cargueiro, que acredito ter sido obra do “informante” que Ben mantém ali. Mais intrigante ainda foi o que o oficial de comunicações Minkowski (também sofrendo dos “flashes”) disse para Sayid: “vocês têm um amigo nesse barco”. É claro que ele se referia a Lapidus, mas e se essa pessoa que está ali infiltrada fosse algum conhecido nosso? Algum nome vem à sua mente? Quem já saiu da ilha através de Benjamin Linus em circunstâncias duvidosas e nunca mais apareceu? Pois é, eu aposto todas as minhas fichas de Michael Dawson está naquele barco, o que acham?



Intenso, confuso, esclarecedor... E confuso de novo! O episódio desta semana é um dos que entra para a lista dos melhores exemplares de toda a série, reiventando conceitos e trazendo preciosas informações. Na próxima semana The Other Woman trará Juliet de volta aos holofotes de LOST!

Cotação LiGado em Série:
Episódio "4x05: The Constant" exibido na ABC (Rede de TV Americana) em 28/02/2008.

Repercutindo o Episódio:

- Problemas de Memória: O leitor Leoff levantou uma interessante questão: "por que Penny se lembra do encontro com Desmond no passado e Daniel Faraday e Charlie não?" Ora, a resposta desta pergunta já pode ter sido dada na série. Lembram-se que no episódio anterior Faraday e Charlotte faziam uma espécie de "teste de memória"? Provavelmente a combinação de cartas que ele precisava lembrar foi apresentada antes da "viagem" à ilha e agora eles exercitam a mente tentando lembrá-la. Isso explica porque Faraday e Charlie não se lembram de Desmond e porque o físico precisou escrever em seu diário qual seria a sua própria "Constante".

- Física Pura: A apresentadora, colunista, roteirista e física Rosana Hermann lembra que "uma das grandes sacadas de Albert Einstein foi que para todos os observadores, em qualquer referencial, a velocidade da luz é sempre uma constante. Então, a pessoa ter uma constante é ter a luz da sua vida". Pra embasar, ela cita a Teoria do Espaço-Tempo de Einstein e... Hermann Minkowski!

- Carlos Alexandre Monteiro comenta que Desmond é singular como um todo em sua trajetória. Ele é um sobrevivente sem ter caído com os passageiros do vôo 815, um habitante anterior à tragédia da ilha sem ser um Outro, foi um Dharma sem ser um Dharma... E agora, com "The Constant", vimos que, metáforas à parte, ele realmente transita entre duas realidades. (...) Ele é espectador e protagonista de sua própria trágédia particular".

enviada por Bruno Carvalho






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)