Toda vez que os produtores e roteiristas de
LOST querem nos surpreender, eles não o fazem dando respostas para os mistérios da ilha: eles mudam as perguntas que tínhamos. Essa foi a premissa básica de
The Shape of Things to Come, o episódio que trouxe mais um importante marco desta incrível jornada e que representou o prólogo do restante da série. Logo de cara tivemos uma emocionante batalha na vila dos Outros (se é que eles ainda detêm este título), onde Ben foi o maior perdedor, pois tivemos que testemunhar junto com o líder a brutal morte de sua filha. Mas mais triste do que isso foi constatar que as últimas palavras que a moça ouviu foram
mate-a, ela não significa nada pra mim da boca de seu próprio pai. Outra grande surpresa foi a inesperada aparição do monstro de fumaça (a mais impressionante de todas até hoje), claramente invocado como Hurley bem descreveu. É impressionante como que Ben sempre tem uma carta na manga, que geralmente é a que menos esperamos. Será que é ele quem arquiteta todas as outras ações de nosso amigo esfumaçado? Medo...
Na praia, a rede de mentiras do pessoal do cargueiro começou a se enfraquecer diante de Jack, Kate e dos demais sobreviventes, tendo em vista as freqüentes contradições de Faraday e Charlotte. Ao que tudo indica, eventualmente eles precisarão ceder e entregar todo o plano e esclarecer qual é a desse quando que traz à costa o cadáver de alguém que dizem estar vivo. Não bastassem os acontecimentos na ilha terem sido literalmente bombásticos, o
flashfoward de Linus foi arrebatador. Descobrimos como Sayid se tornou o assassino que vimos em
The Economist e as misteriosas viagens de Ben para fora da ilha. Se ele fretou um avião para chegar até a Síria, por que acordou no meio do deserto do Saara usando uma roupa Dharma e depois perguntou em qual ano estava? Será que tem alguma coisa a ver com a
estação Orchid e os experimentos de tempo e espaço? Prefiro pensar que não, pois essa idéia não me atrai neste ótimo momento da série. A cena que vai dar o que falar, claro, foi a do encontro entre os dois comandantes desta guerra, que trouxe o verdadeiro significado do rumo que a história tomará, preconizado no título do episódio.
Ao que tudo indica, a grande batalha entre Ben e Widmore está apenas começando, agora que as coisas atingiram níveis bastante pessoais. O diálogo entre os dois também se mostrou deveras interessante: mais um conflito de interesses foi apresentado e este inevitavelmente envolverá Desmond na jogada. O escocês, que é o pivô de praticamente todos os acontecimentos de
LOST por causa de Penny e seu pai, poderá então ter uma influência decisiva no fim das contas. Que ironia, não? Ah, e a grande revelação de que Charles (em 2005/2006)
não sabe onde está a ilha, indica que provavelmente grande parte da equipe do cargueiro vai morrer ou, no mínimo, não conseguirá deixar o local. Mas o que martelou a minha cabeça durante todo o episódio foi uma aparentemente inocente frase que Hugo soltou lá no início, enquanto curiosamente jogava War com Sawyer e Locke:
a Austrália é a chave para todo o jogo. Um jogo que acaba de ter suas regras profundamente alteradas, diga-se de passagem. Que episódio sensacional!
Cotação Bruno Carvalho:




Episódio 4x09: The Shape of Things to Come exibido em 24/04/2008 na ABC (rede de TV americana). A série volta no dia 19 de Maio no Brasil pelo AXN.