A cada novo episódio de
Mad Men nós descobrimos um pouco mais sobre o peculiar estilo de vida dos anos 60 e
Flight 1 focou nas relações entre pais e filhos. Mas de tudo que foi mostrado, o que mais surpreende é a forma como as crianças naquela época eram tratadas. Se hoje os filhos são o centro da casa, antigamente o patriarca detinha este titulo e a prole era vista como mera coadjuvante em uma família. Por isso, é com espanto que vemos Sally, a filha de Don Draper que não deve ter nem 6 anos direito, aprendendo a preparar e servir um
scotch para seu pai. A distinção e a informação também eram ignoradas por aquela sociedade, pois Betty trivialmente chama seu filho Bobby (de mais ou menos 4 anos) de desonesto e um pequeno mentiroso, somente porque ele inocentemente copiou um desenho em um trabalho de escola. Ah, e ela ainda completou: eu não ligo para o que eles fazem no quarto, desde que me dêem algumas horas de sossego.
Essa característica ainda fica proeminente no desdém com que os mais velhos na série se referem aos seus pais, já que todos eles parecem ter sido criados em lares ainda muito mais severos do que o que eles mantêm. Esse fato é ressaltado quando testemunhamos a burocrática reação de Pete Campbell após a morte de seu pai na tragédia do Flight 1 da American Airlines que ocorreu em 1º de Marco de 1962. Não bastasse isso, o moço ainda utilizou o evento para capitalizar em cima do potencial novo cliente, a própria companhia aérea. Tudo isso culminou na icônica (e até chocante) cena com Peggy, quando descobrimos que seu filho está sendo criado por sua irmã e sua mãe. Uma triste realidade, sem dúvida. O choque de culturas e ideologias em tão pouco tempo é realmente impressionante e
Mad Men retrata isso absurdamente bem. Mais um excelente episódio!
Cotação Bruno Carvalho:




Episódio "2x02: Flight 1" exibido em 03/08/2008 no canal americano AMC.